Conheça os responsáveis pelos desfiles

O que faz cada setor?

Setores

comissão de frente

A Comissão de Frente veio dos ranchos em meados da década de 50, era composta por fundadores da escola ou pela diretoria, eles vinham com terno branco e chapéu na mão, saudando o público , apresentando a escola e mostrando todo o trabalho realizado durante o ano .  Aproximadamente a partir dos anos 80, a comissão de frente começou a fazer uma espécie de show na avenida. Surgem aí os coreógrafos, que, a cada ano criam uma certa expectativa no público por sua coreografia diferenciada e também em relação ao enredo da agremiação.

É formada por no máximo quinze pessoas podendo ser homens, mulheres, crianças e casais;
Sua principal função é apresentar a escola e saudar o público ao longo do desfile.

bateria

Com cerca de 350 integrantes, é alinhada por instrumentos guiados pelo mestre. Os instrumentos usados são: tamborim, pandeiro, chocalho, reco-reco, tarol, agogô, cuíca, repenique, caixa de guerra e surdos de primeira, segunda e terceira marcação. Os negros trouxeram para o Brasil uma enorme variedade de instrumentos de percussão, toda e qualquer manifestação religiosa ou profana dos negros eram acompanhadas por um enorme cortejo de tocadores, por que o ritmo é parte da alma negra. Quando da formação dos conjuntos musicais para os Ranchos Carnavalescos foi valorizado muito mais os instrumentos de corda e de sopro. Com o surgimento das Escolas de Samba os instrumentos de percussão ganham destaque, os instrumentos de sopro foram afastados e os instrumentos de corda ficaram o necessário para a harmonia musical, como o violão, o cavaquinho e o bandolim. 


É o “coração de uma agremiação”, que mantém o vigor e a cadência indispensável para o desenvolvimento do desfile da mesma, dando sustentação ao canto e à dança dos componentes em desfile.


Há que se levar em consideração o entrosamento dos naipes, cada qual com sua afinação, fazendo com que sejam ouvidos perfeitamente todos eles, respeitando-se a tendência e a predominância que caracteriza a Bateria de cada Escola de Samba.


Alguns instrumentos são considerados básicos e indispensáveis na formação de uma bateria. São eles: SURDO (naipes graves), REPENIQUE (naipes agudos), CAIXA (naipes agudos), TAMBORIM (naipes agudíssimos), CHOCALHOS (naipes agudíssimos). É através deles que se tem a referência para a análise rítmica da bateria, devendo-se observar o equilíbrio dos mesmos.  É o conjunto harmonioso de sons produzidos por esses instrumentos que possibilitam o canto e a dança, durante o desfile. 


O andamento deve ser analisado através da pulsação dos surdos e seus complementos (citados acima).

No que diz respeito ao ritmo, o funcionamento da bateria assemelha-se a uma orquestra; assim sendo, ela deve manter a inalterabilidade do ritmo e o sincronismo de sons emitidos pelos diversos naipes de instrumentos, cuja distribuição dentro do conjunto é critério de cada Diretor de Bateria.


O chamado “atravessar o samba” ocorre quando, por qualquer falha, a Bateria provoca um desentrosamento entre ritmo e canto. 


A criatividade de cada Bateria não se discute, uma vez que ela é uma concentração popular eclética na sua formação, com a participação das mais diferentes classes sociais e culturais do nosso País. Sendo assim, cada entidade tem o direito de fazer o que bem entender nos seus desenhos rítmicos, ou seja, uma Bateria pode conduzir todo o seu desfile sem que faça qualquer tipo de evolução  rítmica no decorrer da apresentação, e também tem a liberdade de fazer qualquer tipo de breque convencional ou breque silencioso, desde que nenhum deles causem descompasso no desfile da entidade.  No caso de eventuais convenções, o julgador deverá avaliar o efeito sonoro e a precisão da retomada após as mesmas, podendo marcar a pulsação e o andamento (acompanhamento da primeira marcação e da segunda marcação) com o movimento das mãos, ou dos pés (marcação ou surdo) e avaliar o desempenho de seus complementos no intervalo das marcações.  

Mestre Sala e Porta Bandeira

Uma das funções de maior destaque e importância dentro de uma escola de samba é o casal de mestre sala e porta bandeira.

Segundo a história, nos cortejos da Rainha e do Rei do Congo, um negro sem camisa e descalço carregava um mastro com um pano colorido na ponta, era o Porta Estandarte do cortejo real. Nas festas do Imperador do Divino, que se apresentava nos domingos de Páscoa o Imperador eleito saía pelas ruas com uma corte numerosa tendo a frente o "Alferes da Bandeira" carregando o pavilhão do Divino, e o estandarte era respeitosamente beijado, como fazemos hoje com as bandeiras das Escolas de Samba. Acredita-se que este seja os primórdios dos atuais Mestre-Sala e Porta-Bandeira.


O Baliza e atual Mestre-Sala era uma das figuras de maior destaque nos Ranchos carnavalescos. Os Blocos e os Ranchos desfilavam com Porta Estandarte e Baliza que tinha que dançar e ficar atento a qualquer movimento, já que qualquer distração poderia ser fatal e terminar com sua carreira. Perder a porta Estandarte e o Pavilhão para o Baliza da agremiação rival, era a maior humilhação, o pavilhão só seria recuperado no ano seguinte quando tinha que ir buscar no local de ensaio do bloco que o pegou, obviamente nestas ocasiões havia grande confusão ao som dos gritos de "Enrola o pano" ou seja enrola o Pavilhão. O saudoso Juvenal Lopes que foi Presidente na Mangueira, era no início da década de 30, o Baliza da Deixa falar. Foi o velho Maça quem introduziu e primeiro desfilou como Mestre-Sala nas Escolas de Samba, aprendeu com o famoso Hilário Jovino Ferreira, o Laiu de Ouro, com o Getúlio Marinho e Teodoro, ases na coreografia elegante, cheia de arabescos com que conduziam a Porta-Estandarte. Com um lenço branco nas mãos ou um leque que os balizas usavam nos Ranchos e Blocos, os personagens sugeriam figuras buscadas na Corte Real e a coreografia era séria de elegância e finura. A primeira escola de samba a trazer um casal no carnaval paulistano foi a Unidos do Peruche, na década de 50.


O mestre-sala e a porta-bandeira ostentam o Pavilhão da escola usando fantasias luxuosas que podem pesar até quarenta quilos, somente o casal oficial é julgado.  
Temos uma escola de mestres salas e porta bandeiras – AMESPBEESP- que tenta fazer com que a raiz desta dança não se acabe.


Atualmente, julga-se neste quesito o total entrosamento do par, os giros no sentido horário e anti-horário, o cortejo do mestre sala.


A porta-bandeira é a figura mais representativa de uma escola de samba: a ela cabe a honra de conduzir o pavilhão da entidade. Ela deve mostrar garbo, graça, elegância na postura e na dança, apresentando-se com desenvoltura, deve conduzir o Pavilhão sempre desfraldado, sem enrolar no mastro ou bater no mestre sala. A porta-bandeira jamais se curva a qualquer pessoa, uma vez que ela ostenta o ponto máximo da escola que é o seu pavilhão. O seu bailado tem características próprias que são movimentos giratórios em torno de seu próprio eixo, no sentido horário e anti-horário.
O mestre-sala é o guardião do pavilhão. Tem a finalidade de chamar a atenção para o pavilhão. Todo o seu trabalho deve se voltar para a porta-bandeira. Jamais colocar os joelhos no chão ou ficar de costas para a sua dama.


O casal executa um bailado próprio no ritmo do samba (não devendo nunca sambar); fazem constantemente movimentos ensaiados, tem variedades de passos e entendem-se a um simples olhar nunca se comunicando verbalmente.

Harmonia

Em desfile de Escola de Samba é o entrosamento entre o ritmo (bateria), a melodia (canto) e a dança, observando-se a distribuição dos componentes da agremiação. Considera-se deslize grave o chamado atravessamento do samba, que pode manifestar-se  no canto (melodia), ocorre quando uma parcela dos componentes canta uma parte da letra, enquanto outra parcela canta outra parte da mesma letra, entoando outros versos ou entre o ritmo e a melodia – quando o ritmo da Bateria não é mantido e/ou acompanhado pelo andamento da dança e pelo canto da melodia do Samba.

Caberá, portanto, ao julgador, avaliar a harmonia do canto, do samba, e do ritmo e, continuidade e a inalterabilidade do canto.

Baianas

Surgiu de um grupo de amigos que gostava de brincar e fazer folia nocarnaval, saindo nas ruas do Tucuruvi com muito entusiasmo.

Representam a tradição, a própria alma feminina da escola, a ala de baianas é considerada como uma das mais importantes de uma escola de samba. Composta, preferencialmente, por senhoras vestidas com roupas que remetem às antigas tias baianas dos primeiros grupos de samba do início do século XX. A ala reúne tradicionalmente as mulheres mais velhas da comunidade a que está ligada a escola de samba ou o maracatu. Geralmente em trajes de baianas, elas dançam evoluindo em giros ao redor de si mesmas, valorizando as saias, sempre muitas rodadas e estruturadas com anáguas e armações. Suas fantasias em geral acompanham o enredo do resto do cortejo, mas mantém como base o traje de baiana.