Mestre Sala e Porta Bandeira


Uma das funções de maior destaque e importância dentro de uma escola de samba é o casal de mestre sala e porta bandeira.


Segundo a história, nos cortejos da Rainha e do Rei do Congo, um negro sem camisa e descalço carregava um mastro com um pano colorido na ponta, era o Porta Estandarte do cortejo real. Nas festas do Imperador do Divino, que se apresentava nos domingos de Páscoa o Imperador eleito saía pelas ruas com uma corte numerosa tendo a frente o "Alferes da Bandeira" carregando o pavilhão do Divino, e o estandarte era respeitosamente beijado, como fazemos hoje com as bandeiras das Escolas de Samba. Acredita-se que este seja os primórdios dos atuais Mestre-Sala e Porta-Bandeira.


O Baliza e atual Mestre-Sala era uma das figuras de maior destaque nos Ranchos carnavalescos. Os Blocos e os Ranchos desfilavam com Porta Estandarte e Baliza que tinha que dançar e ficar atento a qualquer movimento, já que qualquer distração poderia ser fatal e terminar com sua carreira. Perder a porta Estandarte e o Pavilhão para o Baliza da agremiação rival, era a maior humilhação, o pavilhão só seria recuperado no ano seguinte quando tinha que ir buscar no local de ensaio do bloco que o pegou, obviamente nestas ocasiões havia grande confusão ao som dos gritos de "Enrola o pano" ou seja enrola o Pavilhão. O saudoso Juvenal Lopes que foi Presidente na Mangueira, era no início da década de 30, o Baliza da Deixa falar. Foi o velho Maça quem introduziu e primeiro desfilou como Mestre-Sala nas Escolas de Samba, aprendeu com o famoso Hilário Jovino Ferreira, o Laiu de Ouro, com o Getúlio Marinho e Teodoro, ases na coreografia elegante, cheia de arabescos com que conduziam a Porta-Estandarte. Com um lenço branco nas mãos ou um leque que os balizas usavam nos Ranchos e Blocos, os personagens sugeriam figuras buscadas na Corte Real e a coreografia era séria de elegância e finura. A primeira escola de samba a trazer um casal no carnaval paulistano foi a Unidos do Peruche, na década de 50.


O mestre-sala e a porta-bandeira ostentam o Pavilhão da escola usando fantasias luxuosas que podem pesar até quarenta quilos, somente o casal oficial é julgado.  
Temos uma escola de mestres salas e porta bandeiras – AMESPBEESP- que tenta fazer com que a raiz desta dança não se acabe.


Atualmente, julga-se neste quesito o total entrosamento do par, os giros no sentido horário e anti-horário, o cortejo do mestre sala.


A porta-bandeira é a figura mais representativa de uma escola de samba: a ela cabe a honra de conduzir o pavilhão da entidade. Ela deve mostrar garbo, graça, elegância na postura e na dança, apresentando-se com desenvoltura, deve conduzir o Pavilhão sempre desfraldado, sem enrolar no mastro ou bater no mestre sala. A porta-bandeira jamais se curva a qualquer pessoa, uma vez que ela ostenta o ponto máximo da escola que é o seu pavilhão. O seu bailado tem características próprias que são movimentos giratórios em torno de seu próprio eixo, no sentido horário e anti-horário.
O mestre-sala é o guardião do pavilhão. Tem a finalidade de chamar a atenção para o pavilhão. Todo o seu trabalho deve se voltar para a porta-bandeira. Jamais colocar os joelhos no chão ou ficar de costas para a sua dama.


O casal executa um bailado próprio no ritmo do samba (não devendo nunca sambar); fazem constantemente movimentos ensaiados, tem variedades de passos e entendem-se a um simples olhar nunca se comunicando verbalmente.