Eu sou a Arte: Meu Palco a rua

 

Fundamento do enredo

"Ao falar na descoberta poética guardada no olhar artístico, não podemos deixar de nos lembrar de dois relatos. Um atribuído a Michelangelo: ele, passeando na rua, ficou olhando para uma pedra. Quando alguém lhe indagou o que estava olhando, respondeu: "Estou vendo um anjo sentado". Conta-se também que um artista popular, quando perguntado acerca de como fazia seus ursos de madeira, respondeu: "Pego a madeira e tiro tudo o que não é urso". A percepção é um movimento caracterizado pela unicidade da impressão. A poesia chega sob a forma geral de uma forte sensação, que já carrega a marca da unicidade e originalidade de cada artista".   Cecília Almeida Salles

Para compreendermos a real essência desse enredo é necessário ter ciência de dois conceitos: arte e urbano!

A compreensão de arte constitui um dos mais complexos dilemas da Filosofia moderna. Enquanto alguns catedráticos defendem que só pode ser qualificado como manifestação artística o trabalho executado por profissionais de graduação especifica obedecendo a convenções pré-estabelecidas, sociólogos e outros pensadores do mundo inteiro entendem que qualquer manifestação estética, independente de classe ou estilo em que se enquadre, desde que alcance o objetivo de transmitir uma informação ou despertar sentimentos e emoções de quem as contempla merece tanto quanto a denominação de arte.

No que consiste à urbanidade, merece essa designação aquilo que se refere à urbe, ou seja, povoação que corresponde a uma categoria administrativa, caracterizado por elevado grau populacional ou pela infraestrutura em que se organiza. Deriva das "Pólis" da Grécia Antiga, da qual Atenas foi o molde para o desenvolvimento conceito.

A arte urbana é uma forma usada para classificar os movimentos artísticos, relacionados com intervenções visuais. É a maneira de como expressamos sentimentos, ideias, emoções e, de certa forma, transmitimos pensamentos éticos, morais e culturais. Normalmente, essas emoções são passadas ao receptor em forma de desenho ou apenas simples palavras, em zonas invulgares de uma metrópole. Talvez por isso, muito a considerem vandalismo e, muitas vezes punível pela sociedade.

Esta forma de expressão inicialmente era chamada de movimento underground. Com o tempo foi ganhando forma e se estruturando. Intervenções urbanas, como o graffiti, podem mesmo alcançar um nível de arte colecionável, deixando os muros da cidade rumo às galerias e museus. Exemplo disso é o Museu de Arte Moderna de São Paulo, que nos últimos anos sempre dedica uma parede a ser ocupada por um artista.

Em suma, a arte urbana é um meio que os artistas encontraram para se exprimirem o seu ponto de vista sobre as coisas exprimindo recados ou sentimentos, em forma até de "poemas", mas na forma de arte, desenho, na música, na dança ou mesmo em pequenas palavras.   Wagner Santos - carnavalesco

Sinopse do enredo

Setor 1: A arte revela o homem como um ser criativo

Mesmo que se desconheça um momento exato para o nascimento do conceito de arte urbana na história, é inegável que desde que o homem caminha pela Terra ele vem deixando provas irrefutáveis de seu instinto criativo.

Antes de saber juntar A mais B pra formar uma sílaba e depois, com elas compor as primeiras palavras que traduzissem algum sentido, o homem tratou de dar um jeito de se fazer compreendido utilizando as superfícies das rochas.

Fosse com o suco pigmentado de um vegetal ou sangue animal, com a ponta afiada de uma rocha mais resistente ou um osso; qualquer coisa serviria para que, em linhas primárias, às vezes até meio disformes, se pudesse transmitir as mais profundas emoções assim como suas crenças e seus feitos heroicos, como batalhas entre tribos e situações de caça. O cotidiano e a vida em sociedade serviram de inspiração para o despontamento do homem primitivo como o primeiro artista que se tem registro.

Setor 2: A arte revela o homem como um ser social

Nenhum olhar direcionado à evolução da Arte Urbana pode ser dado como nítido, completo e real sem que, em algum momento dessa observação deixemos de notar, compreender e, principalmente reconhecer a importância filosófica da Civilização Grega para o desenvolvimento intelectual e criativo da humanidade. Se apurarmos mais ainda o nosso olhar para o legado que os helenos (como os gregos se autodefiniam) deixaram para a humanidade, perceberemos facilmente que a história da Grécia como uma estrutura política e social e a história da arte, em suas numerosas vertentes, caminharam congruentemente, entrelaçando-se em muitos momentos, ao longo da Antiguidade Clássica.

Em principio, vale afirmar que antes que o mundo antigo tivesse ciência do real conceito de urbanidade, os gregos punham em prática um método organizacional fundamentado no pressuposto de que o êxito de uma sociedade civil só seria real dando o devido valor a cada indivíduo dentro deste contexto social. Para tanto, cada qual deveria conhecer o que lhe é de direito assim como suas obrigações dentro desse organismo. Esse foi o princípio estrutural das "polis", espaços territoriais estruturados que predefiniram o que hoje conhecemos como urbe (das quais, Atenas despontou como seu cerne).

A classe artística mais devotada da Antiguidade Clássica foi sem sombra de dúvidas a dos Aedos. A tradição os coloca como os primeiros poetas da história, muito anteriores à invenção da escrita. Tanta devoção deriva da crença em que seus poemas seriam uma influência direta das Musas que lhes sopravam as palavras aos ouvidos para que eles as recitassem ao público. Versos cantados de forma cadenciada com acompanhamento do som de uma lira conferiu a essas obras o nome de "poesia lírica". Muitos Aedos adquiriram fama por toda a Grécia, pois como transmitiam um conhecimento que até então não se tinha ciência, foram considerados verdadeiros educadores. A própria construção da Mitologia Grega, diz-se ter sido inspirada a Homero, o mais celebre de todos os Aedos.

O amadurecimento artístico durante toda a Antiguidade Clássica deriva diretamente da hegemonia grega. Nos tempos em que Alexandre Magno governou a Grécia (vale lembrar que Alexandre, o Grande, foi um grande apreciador da cultura grega), a cultura grega tornou-se o padrão cultural a ser seguido. Esses aspectos perduram até hoje, como a arquitetura, a escultura, poesia, a música, a dramaturgia e a comédia. Aliás, foi com o surgimento da Comédia, e seus textos apimentados com sarcasmos e ironias, que o Teatro Grego ganhou a admiração popular, criando inclusive uma interação entre os atores e o público.

Concomitantemente, não muito longe da Grécia, um novo império ascendia. Com seu exército muito bem preparado, os romanos já vinham promovendo uma série de conquistas, dominando inclusive toda a extensão do Mediterrâneo. A cidade de Roma tornava-se então a nova Metrópole, com toda a sua problemática social. Visando desviar a atenção da população carente, o Imperador criou espaços urbanos onde pudesse oferecer ao povo alimento e diversão, ou, em suas palavras, "pão e circo". Do incomum ao bizarro, esses espetáculos eram compostos por corridas de carruagens, luta entre gladiadores, apresentações de animais selvagens e pessoas com habilidades incomuns, como engolidores de fogo. Na medida em que as artes circenses conquistavam o povo, o Império não tardou a investir em estruturas que pudessem proporcionar maior conforto ao público. As praças ganharam assentos circulares que mais tarde evoluíram para as atuais arenas. Indubitavelmente, a mais famosa de todas essas arenas atravessou milênios e hoje figura entre as mais valorosas atrações turísticas de Roma: o Coliseu!

Setor 3: A arte revela o homem como um ser racional

O florescimento da Era Medieval trouxe consigo uma nova forma organizativa para a sociedade europeia. Ao mesmo tempo em que Roma perdia importância política, o mundo que antes incorporara o império dos césares, fragmentava-se em pequenos reinos, os feudos, de posse de seus reis. As "Pólis" gregas renascem, então, como burgos, sem perder sua essência. A transição social promovida pela ascensão do comércio teve como consequência a migração da classe camponesa para essas novas urbes, interferindo no modo de vida de seus habitantes: os burgueses.

Assim como outras castas da sociedade, os artistas populares também viram nesses novos conglomerados um espaço promissor para expressarem suas artes. Muito procuradas por novos mercadores, as feiras medievais logo se tornaram espaços bastante frequentados por um grupo cheio de trejeitos espalhafatosos, com seus discursos eloquentes, dotados de dons e habilidades especiais. Os saltimbancos eram artistas populares itinerantes que, indo de um povoado a outro apresentando números cômicos ou circenses, normalmente em troca de algum dinheiro, comida ou hospedagem.

Apesar do conceito de artista popular sempre ter uma relação pejorativa com as classes menos abastadas, foi justamente durante o do seio da burguesia medieval que surgiu uma das correntes "pop-art" mais emblemáticas na história da arte urbana pelo mundo. Provenientes da nobreza francesa, os trovadores tornaram-se bastante populares pela forma de apresentar suas poesias, cantando seus versos com acompanhamento de violas e outros instrumentos de corda. Por mais que os trovadores fossem cidadãos nobres, muitas de suas cantigas foram verdadeiros escárnios às personalidades ocupantes das mais altas castas da sociedade, como políticos e monarcas.

Os relatos dos trovadores medievais, quando passaram a serem impressos, foram batizados como Literatura de Cordel. O Cordel nasceu como uma nova arte urbana, com textos de linguagem simples e direta, por mais que os enredos fossem caracterizados por tramas complexas e batalhas heroicas entre o bem e o mal. Assim como a arte que a precedeu, a Literatura de Cordel ganhou a admiração da população que tinha como costume frequentar as feiras em espaços públicos. O nome é derivado da forma como esses livretos eram expostos ao público, sempre pendurados em cordas.

A Igreja Católica também interferiu diretamente na evolução das artes urbanas durante a Idade Média. Mas nem sempre de forma positiva.

Está claro que muitas manifestações artísticas descendem dos tempos mais remotos da história da humanidade. A música, o teatro, a poesia e até o próprio circo. A Mímica foi uma destas artes. Nascida na Grécia, foi muito popular durante toda a antiguidade clássica. Contudo, a explosão do Cristianismo pela Europa condenou a arte mímicos à marginalidade pois a Igreja Católica achava tudo muito obseno e sugestivo. Mesmo às margens, a arte sobreviveu, atravessando a Idade Média até o Renascimento Italiano, com o surgimento da Commedia Dell'Arte.

A Commedia Dell'Arte surgiu como uma oposição à comédia erudita. Ficou também conhecida como a "comédia do improviso", por seu caráter pouco convencional, onde era permitido aos atores improvisar suas falas e, em certas circunstâncias, interagir com a plateia. A simplicidade foi uma grande marca. Tanto no repertório, quanto nas suas instalações. As improvisações sempre se fundamentavam em situações do cotidiano como adultério, ciúmes, amores e a velhice, sempre com pitadas de ironia e debochada. Este sarcasmo ajudou a estabelecer maior proximidade entre os atores e o público. O comportamento dos personagens enquadrava-se sempre num padrão: o amoroso, o velho ingênuo, o soldado, o fanfarrão, o pedante, o criado astuto. Briguella, Pantaleone, Polichinelo, Colombina, Pierrô e Arlequim são alguns personagens que esta arte celebrou e eternizou. Os palcos eram montados ao ar livre, nas costas das carroças ou em palcos móveis conhecidos como carros de Téspis. Como as companhias eram itinerantes e as estradas da época eram muito precárias, não havia condições de manter a integridade dos equipamentos. Ainda assim, levaram essa arte por todas as cidades renascentistas da Europa. A falta de recursos evidenciou a competência dos atores da época, levanto a teatralidade ao seu expoente mais elevado e que, mais tarde influenciaria a dramaturgia em vários países como a França, Espanha e Inglaterra.

Setor 4: A arte revela o homem como um ser urbano

Pra entender a formatação do processo artístico urbano, é necessário compreender os seus agentes. Todavia, nenhum processo afetou com tanta intensidade este cenário como a depressão econômica do início do século XX.

Enquanto a base da sociedade sofria com a falta de emprego e a fome castigava a população mundial, uma minúscula fração desfrutava de todos os benefícios que uma crise econômica gera àqueles que têm pra gastar. Ao mesmo tempo em que nasciam as favelas, os centros urbanos eram pincelados com as linhas tênues e sucintas dos edifícios e fachadas em estilo "art déco".

A maior parte das pessoas que ainda detinha algumas economias se via obrigada a economizar, cortando qualquer tipo de gasto que fosse desnecessário. Isso envolvia atrações culturais como clubes noturnos. Muitos se viram obrigados a fecharem, deixando seus empregados sem local para se apresentarem. Músicos, principalmente, foram obrigados a encontrarem locais públicos para suas apresentações.

Na América, quem mais sofreu este impacto foram os afro-americanos, principalmente os do sul dos Estados Unidos, que além de pobres ainda eram negros. Segregados pelo fato de serem negros, muitos jovens das áreas rurais abandonaram suas fazendas e suas famílias e buscaram a sorte na cidade. Era uma cena muito comum ver trompetistas, baixistas e guitarristas improvisando nas ruas de Nova York, já que os músicos negros não eram aceitos nas orquestras que ainda figuravam entre o circuito Cult da cidade. Muitos nomes do Jazz e do Blues surgiram a partir deste momento alcançando a notoriedade dentro do cenário da musical.

Décadas adiante, a expansão desordenada da cidade de Nova York dava origem a uma nova cultura das ruas. Nascida nos subúrbios nova-iorquinos, reduto de imigrantes afro-americanos e latino-americanos, a Cultura Hip Hop nasceu em meio à guerra entre as streetgangs que se formaram nos fins da década de 1970, e que viviam em disputas pelos domínios dos pontos de vendas de drogas nas ruas dos bairros. Sua filosofia foi a de promover uma disputa com base na criatividade e no desenvolvimento intelectual ao invés em substituição ao uso de armas.

A performance do Hip Hop é uma mescla, em níveis sucessivos, de gêneros que para a cultura ocidental seriam diferentes e separados (música, poesia, dança, pintura). O diferencial é a interpretação, a fusão de todos esses elementos que faz dela uma forma artística que não seria equivalente à soma dos elementos separados. Para compreender a multidimensionalidade da performance, é necessário fazê-lo em seu contexto social. Neste caso marginal, cheio de problemas sociais, educacionais e de exclusão social. Este contexto social é o que dá sentido à performance.

Por ser uma cultura totalmente social, foi rapidamente aceita pelo povo das ruas dos chamados "guetos". Porém, como o êxito performático exigia ao máximo o uso do intelecto, seus adeptos foram gradativamente se afastando de tudo o que prejudicava seu potencial criativo. Isso incluía o uso de drogas. Com isso, a cultura Hip Hop deixou de ser uma arte marginal tornando-se, assim, aceita em vários países do mundo, inclusive o Brasil.

Os versos abaixo descrevem em parte a ideologia do movimento que enxerga a arte como uma fórmula eficaz para o desenvolvimento social, cultural e político:

"Munidos de microfones, spray e vinil

Corpos se expressam como nunca se viu

Direto das periferias, guetos de Nova York

Para resolver as desavenças surgiu o Hip-Hop

A periferia grita: o rap é a voz do povo

O break é uma forma de protesto através do corpo

Grafiteiros se manifestam através da arte

E o DJ faz revolução com o vinil e a picape

Linguagem urbana das ruas ao coração

Hip Hop é tudo isso forte expressão

Retrato da alma de um povo, identidade cultural

Revolução através das palavras, rap nacional

Jamaica...Faz parte da nossa história

Cultura negra, honras e glórias

Se procura informação, diversão, ideia forte...

Então! Bem vindos ao Hip-Hop..."

A Periferia Grita (Tula J - Rapper)

Setor 5: A arte revela o homem como um ser cosmopolita

Através da história da humanidade e do desenvolvimento da percepção do olhar artístico, não dá pra negar que tudo deriva de uma seleção sensorial de tudo o que vivenciamos. Por extensão, é possível pensar que tudo o que é popular deriva de uma combinação de várias sensações e elementos de diversas naturezas culturais ou nacionalidades. Porém, em poucos (ou talvez nenhum) lugar do mundo essa fórmula tenha dado tão certo ao ponto de criar um cenário pop-artístico tão singular como São Paulo.

Considerada uma das maiores e mais complexas cidades do mundo, colorida e cinzenta, metamórfica e ziguezagueante como uma serpente que a cada temporada troca sua pele, São Paulo é a Meca do talento e da criatividade; um caleidoscópio cultural. Teatros, cinemas, salas de concerto e centros culturais; tantas atrações, porém, até certo ponto inacessível àqueles que habitam os lugares mais distantes do centro da cidade. Em suma, quem mora na periferia está à margem do circuito Cult da capital. É aí que se evidencia a importância do artista de rua.

São Paulo, como qualquer metrópole do mundo, é uma cidade desigual e problemática. A vida numa cidade com essas dimensões pode ser caótica, com requintes de crueldade! Trânsito, enchentes, poluição do ar e sonora, a correria do dia-a-dia, projetos e trabalhos a realizar, metas a cumprir; não seria exagerado dizer que o paulistano da periferia não vive, sobrevive! Mas consegue mais que qualquer outro, emocionar-se com a "dura poesia concreta", presente em cada esquina que dobramos.

Nas ruas, praças e avenidas, terminais de ônibus, plataformas e vagões de trem; de manhã, tarde ou noite; ziguezagueando em meio ao trânsito ao som das buzinas e sirenes. São estátuas vivas, malabaristas em faróis, artesãos, músicos de diversos ritmos, concertos de ruas, performances. Intervenções urbanas que, por sua característica dinâmica só podem ser admiradas por períodos limitados e ao mesmo tempo indeterminados, mas que na maioria das vezes são imortalizadas em fotos e expostas de tempos em tempos nas galerias e centros culturais da cidade.

São Paulo outrora foi definida feia, deselegante, de "mau gosto, mau gosto", pelos versos de Caetano Veloso, adquire um novo conceito através das cores vibrantes e formas estranhas que se compilam para, ao final, proferir em um discurso indireto, cheio de acidez e metáforas o desabafo do artista. O grafitti humaniza, desperta nossa atenção para as nuances sociais desta selva de pedra. Atrai nosso olhar para aquilo que jamais despertaria nosso interesse. Embeleza e ao mesmo tempo defronta a cidade às suas contradições, obrigando-nos a contemplar nossa própria miséria.

O grafiteiro Zezão, mundialmente famoso por gostar de grafitar as galerias subterrâneas de azul, dando cor e vida aos intestinos e entranhas de São Paulo diz o seguinte sobre a arte:

"Enxergo minha arte como um curativo da cidade. Esse é o sentido do graffiti para mim. Levar arte para as pessoas que habitam os rincões esquecidos da metrópole. É quase um exorcismo do lugar".